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Revista Editorial: Apelo à solidariedade

O uso abusivo de drogas deixou de ser um problema particular e está no centro de uma catástrofe social. Milhares de crianças, adolescentes, jovens e adultos se drogam compulsivamente em suas casas, pelas ruas, guetos, favelas ou sob viadutos de todo o Brasil. E pior: é cada vez maior o número de pessoas com algo nível de instrução e bom poder aquisitovo fazendo uso social de drogas lícitas e ilícitas, plenamente conscientes da armadilha em que estão entrando.

É necessário e urgente tentar recuperar essa multidão de desajustados. Infelizmente, não é possível encaminhar os dependentes para tratamento em Comunidades Terapêuticas Multidisciplinares, porque o governo os classifica como doentes mentais e, nas poucas vezes que autoriza interná-los, o faz por meio de convênios com hospitais ou clínicas psiquiátricas, por períodos insuficientes para a recuperação.

As entidades de atendimento filantrópico, sem fins lucrativos, não conseguem celebrar convênios com Estados e Municípios. Ficam, portanto, sem condições e recursos financeiros para levar adiante um trabalho extremamente valioso que, aliás, tem alcançado índices de recuperação mais significativos do que os de hospitais e clínicas psiquiátricas.

Estamos cansados de saber que a droga destrói o corpo, o cérebro, a alma, o espírito, a auto-estima, a personalidade e o caráter dos usuários. Por aí, pode-se imaginar como é complexo o trabalho de desintoxicação e recuperação de um dependente. É uma tarefa árdua, que envolve médicos, terapeutas, familiares e a própria sociedade, além do dependente, que deve desejar com todas as suas forças sair daquela situação. Portanto, são no mínimo seis meses de tratamento integral, em centros terapêuticos multidisciplinares.

Por isso, fazemos um apelo, em caráter de extrema urgência, aos nossos governantes, formadores de opinião e à população em geral, para que sejam tomadas as seguintes medidas:

Implantação de um "Plano Real Antidrogas", estabelecendo a celebração imediata de convênios entre Estado e Prefeitura com entidades filantrópicas de assistência aos dependentes químicos; distribuição dos bens apreendidos dos traficantes para entidades de recuperação de usuários de drogas; criação de equipes treinadas de agentes comunitários para que atuem na prevenção do uso de drogas nas suas comunidades.

Às pessoas consideradas formadoras de opinião (jornalistas, artistas, médicos, terapeutas, professores, políticos, empresários, entre outros), solicitamos estimular e apoiar todas as iniciativas de prevenção e combate às drogas.

À população, pedimos não prestigiar artistas, políticos ou celebridades que façam apologia às drogas. São essas pessoas que "prescrevem receitas" aviadas pelos traficantes para os nossos filhos e amigos.

Carlos Roberto Rodrigues
Presidente da ABRAFAM




Índice da edição Ano 1 - Nº 4 - 1998 de
"Droga e Família"


1.- Especial - Adeus, cigarro: é hora de pensar na saúde!;
2.- Artigo - O poder das agulhas no combate às drogas;
3.- Auxílio - O avesso do barato;
4.- Prevenção - O que são Drogas Psicotrópicas;
5.- Evento - I Fórum Nacional Antidrogas;
6.- Controle - Trânsito e drogas;
7.- Entrevista - "Fui sabiá, mas consegui voltar a ser gente";
8.- Auxílio - A hora da ajuda;
9.- Opinião - O esporte mantém os jovens longe das drogas;
10.- Família - Tóxicos e crise da família;
Além de outras seções contendo informações sobre livros, sobre casas e clínicas de recuperação, cartas dos leitores etc.

A revista "Droga e Família" tem periodicidade bimestral e você pode adquirir o seu exemplar escrevendo para o endereço:

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Vila Mariana, São Paulo, SP.
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