

As drogas que cercam o mundo
Um dos aspectos a que sempre me refiro quando o assunto é drogas diz respeito à difusão maligna que elas possuem, traduzida pelo fato de estarem intimamente relacionadas aos grandes problemas brasileiros. Praticamente não há um só deles em que não se enxerga a mácula das drogas. Uma análise superficial nos dirá sempre que ou elas detonaram o problema ou colaboraram para que ele não assumisse graves proporções. As drogas estão de braços dados com praticamente todas as grandes questões nacionais.
Reflita e diga com sinceridade: você consegue se lembrar de um grande problema brasileiro sem que as drogas estejam presentes? Se você falar que a questão dos sem-teto nada tem a ver com drogas, eu discordo. Em Pernambuco, grandes plantações de maconha volta e meia são descobertas. Planta-se maconha onde poder-se-ía plantar grãos e se isso não é feito é porque alguém em algum lugar está lucrando com a maconha, enquanto o agricultor que não tem terra fica também sem pão.
Juros altos, pregões em baixa, inflação, recessão. Todos esses fatores econômicos despencam sobre as pessoas de forma desalentadora. O estresse que provoca no cidadão comum leva-o a procurar agentes (pseudo) antiestressantes como o fumo, tranquilizantes e, sobretudo, álcool. As drogas, junto com a falta de informação, estão relacionadas à forma pouco responsável com que algumas pessoas encaram a sexualidade, daí advindo problemas como doenças sexualmente transmissíveis, gravidez e paternidade precoce.
A violência doméstica anda par e passo com as drogas que mantêm também relação umbilical com a questão dos menores abandonados, das cadeias superlotadas, do tráfico de armas. De janeiro a setembro de 1997, 247 menores foram assassinados só na capital paulista, de acordo com dados recolhidos pelo Grupo Especial de Investigação Sobre Crimes Contra a Criança e Adolescente, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa. A maioria usava crack e cocaína e foi morta por traficantes ou em brigas por divisão de produtos roubados.
Por isso, eu reafirmo que não se pode entender o combate às drogas sem que a luta se estenda a essas questões. A prevenção só tem sentido se os problemas que levam às drogas e alimentam seu consumo forem, ao menos, abrandados. Se um lar for composto por um pai que não precisa se refugiar no álcool, estressado pelo medo de perder o emprego ou coisa do gênero, por uma mãe que não se entope de anorexígenos na tentativa tola de mudar o corpo porque não consegue mudar a mente, há como se imaginar crianças que não se deixam levar pela oferta fácil de prazer passageiro. E descobrindo o prazer de viver sem drogas, que é incomparável.
Carlos Roberto Rodrigues Presidente da ABRAFAM

Índice da edição Ano 1 - Nº 2 - 1998 de "Droga e Família"
1.- Especial - Uma rota etílica para o fundo do poço;
2.- Artigo - Seja ben-vinda lady Fischer;
3.- Pesquisa - A droga nas escolas de 1º e de 2º graus;
4.- Perigo - Ela chegou e seu consumo não tem nada a ver com heroísmo;
5.- Opinião - O que está por trás da prisão do Planet Hemp;
6.- Sobrevivi - O resgate do inferno das drogas;
7.- Alma - Um recanto para repensar a vida;
8.- Entrevista - Abifarma patrocina pesquisa;
Além de outras seções contendo informações sobre livros, sobre casas e clínicas de recuperação, cartas dos leitores etc.
A revista "Droga e Família" tem periodicidade bimestral e você pode adquirir o seu exemplar escrevendo para o endereço:
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